sexta-feira, 29 de julho de 2011

REHAB


A tua lucidez
E a tua licitude
Não podem pronunciar
O que me atormenta

O consumo
Do ilícito
Não me consome

O que me dilacera
É algo que nesse poema
Por falta de nome
Chamo de dor.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

ENDOSSO


Quando me perguntei
Se eu seria capaz
De não me institucionalizar
Antes dos quarenta

Fez-se um silêncio
De trinta e cinco anos

(...)

Não vou mais ingerir
Minhas doses diárias
De anticorrosivos

domingo, 19 de dezembro de 2010

DOU


Não me culpe
Se não levo flores
Ao teu funeral particular

Deixou de viver – ainda em vida
E vela os teus amores
Vivos também

E agora - espera todos os dias
A publicação da alegria
No diário oficial da união.

sábado, 18 de dezembro de 2010

1,75m


Eu nunca fui um homem
De quantidades

Não tenho lista de amigos
Porque um é uma conta exata

Não tenho gestos desmedidos
Porque me derramo sempre pouco

Até da memória,
Ando perdendo coisas...

domingo, 5 de dezembro de 2010

MODUS OPERANDI


Desbussolado,
Vou escaneando as vaidades a-temporais
E originando a falsa novidade: recorto e colo

E ponho tudo no meu lattes...

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

sexta-feira, 16 de julho de 2010

PEQUEÑAS COSAS

Eu, tu
E nossas verdades
De algodão-doce...

Esse teu sorriso
Despachado
É um escracho

Tiraniza
Minha paternidade
Geneticamente exagerada

E põe o mundo, todo ele
Na ordem
Das tuas preferências

Pula-pula
Escorrega
E moto-elétrica

Minha autoridade
Lambuzada nas tuas peraltices
Vai dando cambalhotas

E lá pelas tantas, velando teu sono
Nessa quietude de agora
Todas as coisas ficaram pequenas

Inclusive tu e eu
Filha, minha.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

PARA NÃO DIZER

Quero num dia desses,
Pela manhã

Sair de casa,
Dessas coisas tão postas
E desses livros tão lidos

E ocupar esses lugares
Que não me explicam
E nem me esperam

Mas que eu sei
Que também são meus

Porque desde sempre
O ventre, inclusive o materno
Nunca foi conforto

E ir por aí – sair
Essa é a minha constância
Meu lugar preferido é onde.

terça-feira, 27 de abril de 2010

SEMINUA


Aonde pensa que vai
Com essa mão boba?

Invadir-me
Não me descompõe

Basta que tuas mãos
Não bolinem meus versos.