sexta-feira, 18 de maio de 2018

VOLUMETRIAS

o que era meu
afundava longe

tão longe

que era inútil
seguir
ou esperar

de alma vazia

inventei
um descuido
do tempo

abri a tampa
do ralo

e o mar escorreu
para dentro 
de mim

quinta-feira, 3 de maio de 2018

12h30/12h50

hoje à tarde
vi nos teus olhos
para onde quero ir

e vou contar
para todo mundo

que eu e tu
demos um jeito
de subverter o tempo

passamos a morar
no ininterrupto

e adormecer
em pausas inventadas

por isso

as paredes do quarto
ainda reverberam
a palavra amor

que eu pronunciei 
há dois meses

sexta-feira, 27 de abril de 2018

MAL NECESSÁRIO

não é fácil
produzir o próprio
leviatã

a pureza
é perigosa

e a beleza
está morta

estou a postos

é meu turno
de fazer a vigília

sábado, 14 de abril de 2018

quinta-feira, 12 de abril de 2018

PIREXIAS

um corpo febril
é obtuso
ao cotidiano

e desinteressado
do mundo

um corpo febril
dilata-se
no calafrio

forjando
intensidades

RETALHOS

o teu renascer 
é foda

é intenso
no riso
no choro
e na indiferença

e eu que já te vi
mulher-de-todos-os-tempos
mulher-de-todas-as-ruas
mulher-de-todos-os-livros

agora te vejo
aberta - ferida aberta

e essa é a tua face
mais bonita

quinta-feira, 5 de abril de 2018

CAIXINHA

o jazz
avança

o vinho
acaba

a moça
dorme

e lá fora
os coqueiros
balançam

é uma calma, só

é um caso de amor
com o tempo

sábado, 24 de março de 2018

quinta-feira, 22 de março de 2018

SÉTIMO ANDAR

depois de tu
meu mundo
passou a ter

semanas
curtas

abraços
longos

apagão
à tarde

fugas
à noite

saídas
sem rumo

sorvetes
exóticos

sorriso
frouxo

e olho
no olho

A MOÇA DO SONHO

a felicidade
chegou

e eu não
pedi vista

quis tudo
agora