Eu, tu
E nossas verdades
De algodão-doce...
Esse teu sorriso
Despachado
É um escracho
Tiraniza
Minha paternidade
Geneticamente exagerada
E põe o mundo, todo ele
Na ordem
Das tuas preferências
Pula-pula
Escorrega
E moto-elétrica
Minha autoridade
Lambuzada nas tuas peraltices
Vai dando cambalhotas
E lá pelas tantas, velando teu sono
Nessa quietude de agora
Todas as coisas ficaram pequenas
Inclusive tu e eu
Filha, minha.
2 comentários:
Magnífico! Difícil pra mim imaginar as sensações de ser pai, mas essas linhas me fazem imaginar. Tentar, inclusive, trazer à memória momentos que não voltam... singelos, mas grandes, não meros instantes. Ai, ai! Nunca mais o sabor de um parque, como degustava antes. Quem sabe um filho ajude, uma criança ensine a resgatar esse gosto do "prazer pelo prazer".
"Ay mi pequeña florecita / Haz con que ellos recuerden / Aquellas sonrisas / Que solamente en los niños se les / Ve sonreir"
Que belo poema Bira.
Perfeito, descrever o encanto de ser pai e de se admirar a beleza de uma criança.
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