quinta-feira, 13 de maio de 2010

PARA NÃO DIZER

Quero num dia desses,
Pela manhã

Sair de casa,
Dessas coisas tão postas
E desses livros tão lidos

E ocupar esses lugares
Que não me explicam
E nem me esperam

Mas que eu sei
Que também são meus

Porque desde sempre
O ventre, inclusive o materno
Nunca foi conforto

E ir por aí – sair
Essa é a minha constância
Meu lugar preferido é onde.

3 comentários:

Tânia regina Contreiras disse...

Olha só: também quero! Nsses lugares que não nos explicam e não nos esperam acontecem coisas. Nasce um broto em nossas terras mortas e remexidas.

Abraços,
Tânia

Eliel disse...

Escrito preciso e lindo. E como conferimos aos nossos "ventres", nas múltiplas compreensões e sensações da palavra, possibilidades tantas, como se nos pudessem satisfazer plenamente! E esquecemos de revolver o que jaz sobre o que é da própria natureza e que clama sufocado por algo mais, que essa vida, como ela é, torna em mundo desconhecido.
Parabéns por mais uma criação, Bira!

JOCIMAR disse...

Provoca um certo desconforto ler este poema. Agora lendo mais atentamente até parece de uma revolta aprisionada; mas o que eu senti mesmo foi uma vontade de partir pelo mundo com a mochila nas costas, ah, isso deu sim. rsrs.

Você é incrível, tiozinho!!!

Grande abraço.

Joci